Contexto: Cantares de Salomão (Shir Hashirim — "o mais sublime dos cânticos") é um poema de amor apaixonado entre um homem e uma mulher. É um dos livros mais debatidos hermeneuticamente: deve ser lido literalmente (celebração do amor conjugal), alegoricamente (amor entre Deus e Israel / Cristo e a Igreja) ou de ambas as maneiras?
Interpretações: A tradição judaica alegoriza o livro como expressão do amor de YHWH por Israel — Rabbi Akiva o chamou de "Santo dos Santos dos escritos." A tradição cristã, desde Orígenes e Bernardo de Claraval, o leu como o amor de Cristo pela Igreja. Ambas as leituras têm fundamento na teologia bíblica da aliança, que frequentemente usa a metáfora conjugal para descrever a relação entre Deus e seu povo (Os 1–3; Ef 5.25–32).
Teologia da sexualidade: O texto em si é explicitamente sensual e celebra a sexualidade humana dentro do amor comprometido como algo bom e sagrado — criado por Deus, bênção do Éden. O livro corrige tanto o ascetismo que rejeita o corpo como o erotismo desvinculado do amor fiel. A tensão produtiva entre as leituras literal e alegórica sugere que a sexualidade humana é, ela mesma, metáfora da aliança divina.