Contexto: Deuteronômio (grego: "segunda lei") registra os discursos de despedida de Moisés nas planícies de Moabe, pouco antes de sua morte e da entrada em Canaã. Estruturado como um tratado de suserania hitita do segundo milênio a.C. — prólogo histórico, estipulações, bênçãos e maldições, disposição do documento —, o livro é a renovação solene da aliança sinaítica para a nova geração.
Teologia: O coração do livro é o Shemá Yisrael (6.4–9): "Ouça, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma e de toda a tua força" — que Jesus citou como o maior mandamento (Mc 12.29–30). O amor (ahavah) a Deus não é mero sentimento mas lealdade de aliança que permeia toda a existência.
Os capítulos 27–30 apresentam as bênçãos e maldições condicionais à obediência ou apostasia. Os capítulos 31–34 narram a transferência da liderança para Josué e a morte de Moisés no Monte Nebo — que avistou a terra prometida mas não entrou. Jesus citou Deuteronômio nas três tentações no deserto (Mt 4), revelando sua centralidade na espiritualidade bíblica.