Contexto: Eclesiastes é o livro mais filosófico — e aparentemente mais cético — da Bíblia. O Pregador (Qohelet em hebraico, "aquele que reúne a assembleia") observa a vida "debaixo do sol" e anuncia: hebel hebalim — "vaidade das vaidades, tudo é vaidade" (hebel = vapor, sopro, algo efêmero e impalpável).
Os grandes temas: O livro percorre a futilidade do trabalho humano que não sobrevive à morte (cap. 2); a irreversibilidade e enigma do tempo (cap. 3 — "há um tempo para tudo"); a injustiça persistente na sociedade (cap. 4); a relatividade da sabedoria diante da morte que nivela sábio e tolo (caps. 6–7); e a imprevisibilidade do futuro (cap. 9 — "nem sempre os ágeis vencem a corrida").
Teologia: Eclesiastes não é niilismo — é a cura do otimismo ingênuo. A tentativa de encontrar significado definitivo "debaixo do sol" sem Deus resulta em absurdo. O antídoto é "temer a Deus e guardar seus mandamentos" (12.13–14) e aceitar com gratidão os prazeres simples como dons divinos no meio da brevidade da vida. É uma teologia radical da limitação humana que abre espaço para a revelação transcendente.