Contexto: Esdras narra dois momentos do retorno do exílio babilônico: o primeiro retorno sob Zorobabel (538 a.C.) para reconstruir o Templo (caps. 1–6), e o segundo retorno sob Esdras, escriba e sacerdote (458 a.C.), para restaurar a observância da Torá (caps. 7–10).
Providência e política: O livro começa com o decreto do rei persa Ciro em 538 a.C. — um rei pagão como instrumento da providência divina para cumprir a profecia de Isaías 44.28. A reconstrução do Templo enfrenta oposição dos samaritanos e outros vizinhos, é suspensa por 16 anos, e finalmente concluída em 516 a.C. — 70 anos após a destruição, como Jeremias havia anunciado.
Esdras como modelo: A frase que define Esdras é programática: "Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a lei do Senhor, cumpri-la e ensiná-la em Israel" (7.10) — a ordem é crucial: primeiro buscar, depois fazer, depois ensinar. A crise dos casamentos mistos (caps. 9–10) reflete a preocupação da comunidade pós-exílica com a identidade covenantal e a pureza do testemunho monoteísta.