Contexto: Ezequiel profetizou entre os exilados na Babilônia (593–571 a.C.). Sacerdote antes de ser profeta, sua teologia é profundamente litúrgica e visionária. O livro é o mais simbólico dos profetas maiores e exerceu enorme influência sobre a literatura apocalíptica judaica e o Apocalipse de João.
A visão da merkavah (cap. 1): A carruagem divina — quatro criaturas viventes com asas e rodas dentro de rodas — é a visão de abertura. Representa a onipresença e mobilidade da glória de YHWH, que não está presa ao Templo de Jerusalém. A subsequente partida da glória divina do Templo (caps. 8–11) é o momento mais assustador do livro: Deus abandona o Templo corrompido antes que os babilônios o destruam.
Oráculos de julgamento e restauração: Os capítulos 4–24 contêm oráculos de julgamento dramatizados em ações simbólicas de Ezequiel. Os capítulos 25–32 são oráculos contra as nações. A parte final (caps. 33–48) é de esperança: a visão dos ossos secos que voltam à vida (cap. 37 — imagem da restauração de Israel e, para o NT, da ressurreição corporal), e a visão do novo Templo escatológico com um rio que flui do santuário vivificando o mar Morto (caps. 40–48).