Contexto: Filipenses é a mais pessoal e afetuosa das cartas de Paulo — "a epístola da alegria." Escrita da prisão (~60–62 d.C.) para a Igreja de Filipos — sua primeira na Europa, fundada através de uma visão noturna (At 16) e de um terremoto que libertou Paulo e converteu o carcereiro. A palavra "alegria" ou "regozijar-se" aparece 16 vezes em apenas 4 capítulos. Que Paulo escreva sobre alegria estando preso é em si uma proclamação teológica.
O hino da Kenosis (cap. 2): O Carmen Christi (2.6–11) é o mais famoso hino cristológico do NT: Cristo, sendo na "forma de Deus" (morphe theou), esvaziou-se (kenosis) — não de sua divindade, mas de suas prerrogativas divinas — tomou forma de servo, humilhou-se até a morte da cruz, e por isso Deus o exaltou e lhe deu o nome acima de todo nome. É uma das mais profundas declarações da Encarnação e Exaltação na Bíblia.
O contentamento aprendido (cap. 4): Paulo não diz que contentamento é um dom — diz que é uma habilidade aprendida: "aprendi a contentar-me em qualquer estado" (4.11). O segredo é o versículo 13: "Tudo posso naquele que me fortalece" — não promessa de poder mágico, mas declaração de suficiência em Cristo em qualquer circunstância.