Contexto: O Quarto Evangelho — atribuído ao apóstolo João — é teologica e literariamente diferente dos sinóticos (Mateus, Marcos, Lucas). Escrito por último (~90–100 d.C.), é o mais contemplativo e teológico, estruturado em torno de sinais selecionados e longos diálogos/discursos que revelam progressivamente a identidade divina de Jesus.
O prólogo (Jo 1.1–18): A abertura mais teologicamente densa da Bíblia. "No princípio era o Verbo (Logos), e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." O Logos pré-existente, agente da criação, encarnou-se na história humana — a doutrina da Encarnação em sua formulação mais explícita e mais filosófica. A estrutura do livro: o "Livro dos Sinais" (caps. 1–12) com sete sinais selecionados; e o "Livro da Glória" (caps. 13–21) com os discursos do Cenáculo e a Paixão-Ressurreição.
Os sete "EU SOU": Declarações de identidade divina que ecoam o nome de Deus no AT (Êx 3.14): "Eu sou o pão da vida" (6.35), "a luz do mundo" (8.12), "a porta" (10.9), "o bom pastor" (10.11), "a ressurreição e a vida" (11.25), "o caminho, a verdade e a vida" (14.6), "a videira verdadeira" (15.1). João 3.16 é provavelmente o versículo mais memorizado do mundo.