Contexto: Jeremias profetizou nos últimos anos do reino de Judá — de Josias até a destruição de Jerusalém em 586 a.C. e o início do exílio. É o profeta que mais revelou seu mundo interior, sendo chamado de "o profeta lacrimoso." Chamado ainda jovem, resistiu ao chamado divino ("não sei falar, sou ainda jovem" — 1.6) e viveu um ministério de constante rejeição, prisão e isolamento.
As "Confissões" de Jeremias: Os capítulos 11–20 contêm orações de angústia únicas na literatura bíblica — Jeremias questiona Deus sobre seu próprio sofrimento, chega a amaldiçoar o dia de seu nascimento (cap. 20). Essa honestidade brutal antecipa a linguagem de abandono de Jesus na Cruz e torna Jeremias o profeta mais "humano" da Bíblia.
A Nova Aliança (cap. 31): O ponto alto teológico do livro e um dos textos mais importantes do AT. Deus promete uma aliança nova — não como a do Sinai que Israel rompeu — em que sua lei será escrita no coração do povo, não em tábuas de pedra. Este texto é citado em Hebreus 8–10 como cumprido na mediação de Cristo. A carta de Jeremias aos exilados (cap. 29) com a exortação a "buscar o shalom da cidade" tornou-se texto fundacional para a teologia da missão cultural.