Contexto: Juízes cobre o período turbulento entre a morte de Josué e o surgimento da monarquia (~1200–1050 a.C.). O livro é organizado em torno de um ciclo recorrente de quatro fases: apostasia (Israel abandona YHWH) → opressão (submissão a povos inimigos) → clamor (apelo a Deus) → libertação (juiz levantado pelo Espírito) → paz → nova apostasia.
Os juízes: Os shofetim não são juízes jurídicos, mas líderes militares carismáticos. Entre os mais notáveis: Débora, a única mulher juíza, que conduz Israel à vitória junto com Baraque (cap. 4–5); Gideão, que com apenas 300 homens derrota Midiã pela estratégia divina (caps. 6–8); Jefté, filho de prostituta, e seu voto trágico (cap. 11); e Sansão, o nazireno de força sobre-humana cuja vida é marcada por fraqueza moral profunda (caps. 13–16).
Mensagem: O livro termina com dois episódios de horror (caps. 17–21) que revelam completa decomposição moral e religiosa. O leitmotiv — "Cada um fazia o que parecia reto aos seus próprios olhos" (21.25) — é o diagnóstico do relativismo moral sem autoridade divina, preparando o terreno para a demanda por um rei.