Contexto: Lucas é o mais literariamente sofisticado dos quatro Evangelhos, escrito pelo médico gentio Lucas como primeiro volume de uma obra em dois tomos (o segundo sendo Atos dos Apóstolos). O prólogo (1.1–4) segue o padrão da historiografia grega clássica, e Lucas escreve explicitamente para Teófilo — possivelmente um patrono romano de alta posição que financia a pesquisa.
Temas distintivos: Lucas dá especial atenção a grupos marginalizados: os pobres e excluídos, as mulheres (Maria, Isabel, Ana, as discípulas de Jesus), os samaritanos e gentios, os pecadores arrependidos. O Espírito Santo aparece com frequência incomum antes mesmo de Pentecostes. A oração de Jesus é um tema recorrente em momentos decisivos. A alegria permeia o livro, do anúncio do anjo a Zacarias até os discípulos que retornam a Jerusalém com grande gozo.
As parábolas exclusivas de Lucas: Incluem algumas das mais amadas de Jesus — o Bom Samaritano (10.25–37), o Filho Pródigo (15.11–32), o Rico e Lázaro (16.19–31), o Fariseu e o Publicano (18.9–14). A genealogia de Jesus remonta a Adão — não apenas a Abraão —, enfatizando a universalidade da salvação. O Magnificat de Maria (1.46–55) é um dos hinos de teologia mais profunda sobre a inversão dos valores do reino.