Contexto: O Evangelho de Mateus foi escrito para uma audiência predominantemente judaica e apresenta Jesus como o cumprimento de toda a história e esperança de Israel — o Messias, o novo Moisés, o filho de Davi, o Emanuel. A abertura com a genealogia de Abraão a Jesus e as citações explícitas de cumprimento ("para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta...") estruturam Jesus dentro da narrativa do AT.
Os cinco discursos: A estrutura literária mais característica de Mateus são os cinco grandes discursos de Jesus, paralelos aos cinco livros de Moisés: o Sermão do Monte (caps. 5–7), o Discurso Missionário (cap. 10), as Parábolas do Reino (cap. 13), o Discurso sobre a Igreja (cap. 18) e o Discurso Escatológico (caps. 24–25).
O Sermão do Monte: Os capítulos 5–7 são o ensinamento ético mais extenso e sistemático de Jesus. As Bem-aventuranças (5.3–12) subvertem os valores do mundo. As antíteses — "Ouvistes que foi dito... mas eu vos digo..." — revelam a autoridade messiânica que aprofunda a Lei, não a abole. A Grande Comissão (28.18–20), com o mandato universal de fazer discípulos de todas as nações, encerra o livro com a missão que define a Igreja até o fim dos tempos.