Contexto: Tiago é uma das cartas mais práticas e eticamente exigentes do NT, escrita por Tiago, irmão do Senhor e líder da Igreja de Jerusalém (~45–49 d.C.) — possivelmente o escrito mais antigo do NT junto com 1 Tessalonicenses. Martinho Lutero chamou-a de "epístola de palha" por aparentemente contradizer a justificação somente pela fé — mas a tensão é resolvida quando se percebe que Tiago trata de uma fé morta vs. Paulo trata de uma fé viva que naturalmente gera obras.
Os grandes temas: Alegria e perseverança nas tribulações (cap. 1); imparcialidade absoluta em relação a ricos e pobres na assembleia — "não tenhais a fé de nosso Senhor... com acepção de pessoas" (cap. 2); a língua como fogo que destrói (cap. 3 — "nenhum homem pode domar a língua"); a humildade contra o orgulho mundano e a sabedoria de cima vs. a de baixo (cap. 4); advertência devastadora aos ricos que oprimem os trabalhadores (5.1–6); perseverança, oração e cura dos doentes pelos anciãos (5.13–18).
"A fé sem obras é morta" (2.14–26): Tiago usa Abraão (crença + ação na oferta de Isaque) e Raabe (crença + ação ao esconder os espias) como exemplos de fé que se manifesta em conduta concreta. O texto não contradiz Paulo — complementa: a fé que justifica é uma fé viva que inevitavelmente se traduz em obras de amor.